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22 de outubro de 2003
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ENSINO

Mestres do primeiro escalão

Medalhões da era FHC dão
aulas concorridas na PUC

Fabio Brisolla


Cláudia Martins/Strana

Alunos no prédio de pilotis da PUC: aulas com professores egressos do governo

O início do segundo semestre na Pontifícia Universidade Católica criou grande expectativa no departamento de economia. A razão era a chegada do novo professor, o ex-ministro da Fazenda Pedro Malan, escalado para a aula de sexta-feira, às 10 da manhã, na sala 200 do edifício Frings. A primeira aula foi cercada por cuidados inauditos na universidade. Dois seguranças e dois funcionários da PUC ficaram a postos na porta da sala, para controlar o acesso dos alunos. Cada um dos 25 selecionados para a matéria seminário de economia aplicada teve o nome checado na lista antes de entrar. Tamanha precaução só houve na primeira aula, para evitar a presença de curiosos. Na semana seguinte, tudo voltou ao normal. E normal para os alunos de economia da PUC é conviver com professores que estão ou estiveram em cargos públicos de primeiro escalão. O quadro docente atual inclui, além de Pedro Malan, o ex-presidente do IBGE Sérgio Besserman, o ex-diretor de política econômica do Banco Central na gestão de Armínio Fraga, Ilan Goldfajn, o ex-presidente do Banco Central do governo FHC, Gustavo Franco, e dois professores integrantes do governo Lula: Afonso Bevilaqua, diretor de política econômica do Banco Central, e Eduardo Henrique Loyo, diretor de estudos especiais do BC. Entre os ex-professores estão outros medalhões da economia nacional: Winston Fritsch, Pérsio Arida, André Lara Resende, Pedro Bodin, Armínio Fraga e Francisco Lopes. Malan está em sua segunda passagem como professor da PUC. A primeira começou no fim da década de 70. "Tive alunos como Armínio Fraga, Gustavo Franco, Helena Landau, Pedro Bodin. Mas, em agosto de 1983, parei de dar aulas e fui trabalhar em Nova York", lembra Malan. Desde então ele esteve fora das salas de aula.


Fotos Cláudia Martins/Strana
Cláudia Martins/Strana

SÉRGIO BESSERMAN
Ex-presidente do IBGE
Matéria: economia brasileira contemporânea
Curso: graduação em economia
"Na PUC há um consenso sobre as grandes questões da economia nacional, apesar das diferenças de pensamento de cada um."

ILAN GOLDFAJN
Ex-diretor de política econômica do Banco Central
Matéria: seminário de economia aplicada
Curso: graduação em economia
"O contato com a universidade é importante para continuar me reciclando."

Após deixar o Ministério da Fazenda, ao fim do mandato de Fernando Henrique Cardoso, Malan assumiu o cargo de vice-presidente do conselho de administração do Unibanco. Apesar da agenda abarrotada de compromissos, ele encontrou brecha para a vida acadêmica. E se diz já adaptado nesse retorno às salas de aula. "Senti apenas uma mudança: estou vinte anos mais velho", brinca. O ex-ministro optou por lecionar uma matéria eletiva, que, evidentemente, acabou se tornando uma das mais disputadas no curso de economia. O privilégio de freqüentar as aulas de Malan cabe a alunos em fim de curso e com maior média geral. Em sala, Malan frustra aqueles que esperavam que o ex-ministro revelasse situações que viveu no poder ou que fizesse comparações entre os ditames econômicos dos governos. Ele enfoca, tão-somente, a história econômica.

O professor Ilan Goldfajn reconhece que a passagem pelo governo desperta interesse nos estudantes. No fim do governo FHC, ele foi diretor de política econômica do Banco Central. "A pessoa passa a ter mais argumentos para ensinar. Costumo relacionar alguns temas e exemplos que ocorreram quando eu estava no governo", diz Ilan. Outra aula concorrida é a do economista Sérgio Besserman, que no início do ano voltou à PUC para sua segunda temporada como professor. Ele começou a dar aulas na universidade em 1983 e parou em 1990, quando passou a ocupar cargos executivos no BNDES. Em 1999, deixou o banco para assumir a presidência do IBGE, onde ficou até o fim do ano passado. Besserman também recorre a sua experiência em cargo público para ilustrar as aulas. "Estou mais ligado aos dilemas que os alunos vão enfrentar", diz ele. Besserman cita números para avaliar sua atuação em sala. "Acho que sou bom professor. Afinal, fui três vezes homenageado especial e duas vezes paraninfo", diz, bem-humorado.


Ricardo Stuckert
Patrícia Santos/Folha Imagem

PEDRO MALAN
Ex-ministro da Fazenda
Matéria: seminário de economia aplicada
Curso: graduação em economia
"Tenho 25 alunos terminando a graduação. É uma turma excelente."

GUSTAVO FRANCO
Ex-presidente do Banco Central
Matéria: monografia (ele é orientador)
Curso: graduação em economia
"Não há nada igual a estar em um ambiente acadêmico marcado pela excelência."

A história de Gustavo Franco com a PUC também é extensa. Ele começou a dar aulas em 1986 e parou sete anos depois. O retorno foi em 1999, e sua aula de reestréia foi tumultuada. "Tinha acabado de sair do Banco Central e quando cheguei para a aula havia uns quarenta jornalistas me aguardando na porta da sala", lembra Gustavo. Durante o curso, ele tratou de um polêmico assunto da época: o câmbio. O ex-presidente do BC enfrentou críticas por ter mantido a cotação fixa do dólar. Os alunos acabaram tendo uma abordagem privilegiada da discussão. "Preparei um curso com temas em que me envolvi profundamente no governo." O departamento de economia da PUC tem 450 matriculados e forma por ano sessenta alunos. "Na PUC, o conjunto é mais do que a soma das partes. Daí o fato de termos tornado a universidade uma referência no pensamento econômico brasileiro", diz Gustavo Franco, apostando que a PUC vá fornecer novos quadros para o primeiro escalão do poder.

         
     
 
 
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