Rui Barbosa e os ecos do passado

Por Luís Nassif

19/11/05

A coluna que escrevi sobre Rui Barbosa, no domingo passado na “Folha”, suscitou algumas manifestações contrárias –caso do jurista e ex-senador Paulo Brossard, em artigo ao “Estadão”--, mas outras em reforço à tese sobre a dubiedade da atividade pública e profissional de Rui.

Miguel Barbosa do Rosário foi o responsável pela transcrição dos Diários de Joaquim Nabuco. A coluna lhe abriu os olhos para o significado de alguns trechos mencionados.

Não são apenas episódios ligados ao “Encilhamento” que depõe contra Rui Barbosa. Marcelo Thadeu Quintanilha Martins pós-graduando em História Pela PUC-SP, levantou alguns processos judiciais que contaram com a participação de Rui.

Naquele início dos século 20, havia uma tentativa de enfraquecimento do poder dos “coronéis” paulistas pelo presidente do Estado. O caminho encontrado foi rastrear os crimes do Dioguinho, jagunço famoso na época, matador profissional (consultar “Dioguinho, o Matador dos Punhos de Renda”, de João Garcia, 2002). Em 1898 Duiguinho cortou as orelhas e o nariz de uma mulher a mando do marido. Ela procurou o governador, que ficou estarrecido. Ocorre que Dioguinho era protegido de figuras importantes da região, no caso um grande fazendeiro e Senador da República Alfredo Elis Jr. Mesmo assim, o delegado não teve dúvidas, invadiu a fazenda do Senador e apreendeu  documentos e cartas ligando-o ao matador, e pediu a sua prisão.

O delegado era uma figura curiosa: jovem, tinha menos de trinta anos, tuberculoso, poeta e jornalista, além de ex-aluno da São Francisco e filho de Desembargador, conta Marcelo. Na época não existia ainda a polícia de carreira e os delegados eram escolhidos a dedo pelo governador

Sem proteção, Dioguinho foi morto numa emboscada e o Senador defendido por Rui Barbosa. Apesar das provas, Rui alegou o costume brasileiro de receber bem na sua casa todo tipo de gente. Era um hábito nobre que não podia ser confundido com crime, ou proteção ao criminoso. E venceu.

Bandeiras, bandeiras, causas pessoais à parte, parece ser a lição do episódio

 

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