EDITORIAL – Jornal do Brasil, 15/12/2004

 

O fim da trapalhada

 

O relatório de 1.500 páginas da Comissão Parlamentar de Inquérito do Banestado que indicia 91 pessoas suspeitas de irregularidades no envio de recursos para o exterior não passa de encenação. Foram esmiuçadas mais de 500 mil remessas, e os apontados no relatório o foram única e exclusivamente por motivação política. Se o ex-prefeito Celso Pitta está lá, por que ficou de fora seu criador, Paulo Maluf? Será porque ao governo Lula interessa manter o PP como aliado no Congresso?

O pior absurdo, contudo, foi a inclusão do ex-presidente do Banco Central Gustavo Franco na relação dos indiciados.

No cargo, Franco representava uma política de governo, o de Fernando Henrique Cardoso, ditada na área econômica pelo então ministro da Fazenda, Pedro Malan. Não por acaso, Malan saiu em defesa do ex-assessor e considerou absurda a inclusão do seu nome no relatório da CPI. Para quem não se lembra, na presidência do BC, Gustavo Franco adotou várias medidas para conter a lavagem de dinheiro. Essa foi uma das marcas de sua gestão.

As trapalhadas da comissão só confirmam a importância de se blindar o presidente do Banco Central de relatórios como esse e de ações judiciais desencadeadas por interesses políticos.