Fitch Eleva IDRs do Brasil Para 'BB+'
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10 Mai 2007 10:28

Nova York , 10 de maio de 2007 - A Fitch Ratings elevou hoje os IDRs (Issuer Default Ratings - Ratings de Probabilidade de Inadimplência do Emissor) de Longo Prazo, em Moeda Estrangeira e Local do Brasil, para 'BB+' de 'BB' e o teto país para 'BBB-' (BBB menos) de 'BB+'. Além disso, a Fitch afirmou o rating de Curto Prazo do Brasil em 'B'. A Perspectiva dos Ratings de Longo Prazo é Estável.

A ação de rating reflete a significativa melhora nas contas externas do Brasil, em conjunto com políticas macroeconômicas prudentes e o aumento da poupança doméstica. “O acúmulo de reservas internacionais - USD36 bilhões desde o início do ano - ressalta o contínuo fortalecimento das contas externas do Brasil e sua resistência a choques externos”, afirmou Shelly Shetty, diretora sênior do grupo de ratings soberanos da Fitch.

Sustentadas por um saudável superávit em conta corrente e pela continuidade de fortes entradas de capital estrangeiro, as reservas internacionais encontram-se atualmente no patamar recorde de USD122 bilhões e, pelas projeções da Fitch, devem ultrapassar USD130 bilhões até o final do ano, o que equivale a 150% do passivo de curto prazo da dívida externa e outros passivos externos. Embora o acúmulo de reservas internacionais reflita, em parte, um fluxo de recursos potencialmente voláteis atraídos pelas altas taxas de juros reais do Brasil, ele também se baseia na continuidade do superávit comercial e em conta corrente e nos investimentos estrangeiros diretos. Este volume recorde de reservas também proporciona segurança contra um ambiente global econômico e financeiro menos favorável, embora a um custo, dado a grande diferença de taxas de juros sobre os ativos em real e em dólar.

O aumento das reservas internacionais e as operações de gerenciamento do passivo pelo governo também resultaram em considerável melhora dos principais índices externos de solvência do Brasil. A dívida líquida externa do Brasil (em percentual sobre as receitas externas correntes) deverá atingir 34% em 2007, consistente com a média dos países 'BB' e ligeiramente acima da média dos países 'BBB' de 23%. Mais notavelmente, a Fitch estima que a dívida líquida externa do setor público poderá chegar a 20% negativos das receitas externas correntes até o final de 2007, transformando o Brasil em um dos poucos credores líquidos públicos externos na categoria 'BB'.

A estabilidade macroeconômica continua bem ancorada, suportada por inflação baixa, taxa de câmbio que continua a se fortalecer e políticas fiscais consistentes com a estabilidade do ônus da dívida do governo. A recente revisão e elevação dos números do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro reduziram a dívida bruta do governo para 67% do PIB em 2006, contra os anteriores 75%. Esta carga mais baixa da dívida do governo, aliada ao crescimento potencialmente maior, melhorou modestamente a dinâmica da dívida brasileira, gerando a expectativa da Fitch de que a dívida bruta caia para 64,5% do PIB até 2010, contra 67% em 2006.

A elevação da poupança doméstica, desde 2002, proporciona conforto adicional no sentido de que a carga da dívida pública brasileira, ainda alta, é sustentável e pode ser financiada majoritariamente nos mercados domésticos. Entretanto, os ratings soberanos do Brasil continuam limitados pelo pesado ônus da dívida pública e pelo substancial risco de mercado resultante do curto prazo da dívida. O ônus da dívida brasileira continua pesado, em comparação com as médias dos países 'BB' e 'BBB' de 40% e 34%, respectivamente. Além disso, o governo tem registrado um progresso apenas lento com relação à extensão do prazo de vencimento de sua dívida interna, o que faz com que suas necessidades de financiamento (dívida a vencer mais déficit orçamentário) continuem bem acima de 20% do PIB, um dos níveis mais altos em comparação com seus pares.

“Novas melhorias na qualidade de crédito Brasil exigiriam maior confiança em que a dívida pública se encontre em queda sustentável, a médio prazo. Com os juros reais ainda elevados e a expansão econômica média de apenas 3% nos últimos cinco anos, a dinâmica da dívida pública continua vulnerável a choques adversos”, segundo Shetty. Os obstáculos a uma baixa taxa de investimentos (estimada em 17% do PIB) precisam ser removidos, a fim de incentivar a produtividade e o potencial de crescimento. A elevada carga tributária, taxas de juros reais altas, limitações de infra-estrutura e um nível relativamente baixo de investimentos públicos explicam o lento desempenho do crescimento do Brasil.

Estabilidade macroeconômica sustentada e maior evidência da resistência das políticas econômicas do país a choques externos; redução mais rápida da carga da dívida pública, incluindo melhor composição da dívida interna; continuidade no fortalecimento dos índices externos de solvência e liquidez do país reforçariam as perspectivas do Brasil de atingir o grau de investimento no futuro. Novas reformas estruturais, como autonomia do Banco Central e reformas fiscais, principalmente relativas ao déficit do sistema de previdência social, intensificariam a capacidade do Brasil de absorção de choques e sustentariam um índice maior de crescimento econômico, embora as perspectivas com relação a essas reformas parecem ser modestas no melhor dos casos. “O enfraquecimento do compromisso em relação à manutenção de políticas fiscais prudentes e da autonomia operacional real do Banco Central poderiam acarretar pressão negativa sobre os ratings soberanos do Brasil”, advertiu Shetty.

Contato: Shelly Shetty, 1-212-908-0324 e Erich Arispe, 1-212-908-9165, Nova York; ou David Riley, 44-207-417-6338, Londres.

Relações com a Mídia: Christopher Kimble, Nova York, 1 212-908-0226; Jaqueline Ramos de Carvalho, Rio de Janeiro, 55-21-4503-2623.



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