OESP, 28.10.2006

O sucesso das privatizações

EDITORIAL

Mais uma pesquisa, desta vez no Brasil, confirma que a privatização torna as empresas mais eficientes, melhorando seu desempenho operacional e financeiro e elevando sua lucratividade. Isso resulta em mais impostos, com dupla vantagem para o governo, que se livra de ajudar essas companhias com dinheiro público e ainda aumenta o recolhimento de tributos. Economia e mais ganhos para o governo, nesse caso, representam evidentes benefícios para o contribuinte e para o cidadão - sem contar que este ainda é favorecido como consumidor.

A nova pesquisa foi realizada por dois professores da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo, William Eid e Ricardo Rattner Rochman, e um do Tinbergen Institute, de Amsterdã, Marcos Poplauski Ribeiro, e compara a experiência de 13 empresas brasileiras antes e depois da privatização.

A amostra se compõe de cinco siderúrgicas, quatro químicas, duas elétricas, uma mineradora e uma fabricante de aviões. Foram tomados, para cada empresa, três balanços anteriores e três posteriores à privatização. Além de comparar duas fases de cada empresa, os pesquisadores confrontaram os dados de cada uma, antes e depois da privatização, com a média de cada setor.

Pelo menos um resultado surpreendeu: de modo geral, o emprego acompanhou a evolução de cada setor, sem grande mudança na passagem do controle estatal para o privado. O que mudou consideravelmente foi a eficiência. Houve em todos os casos considerável aumento da receita operacional líquida por empregado e do lucro líquido por empregado. A evolução dos indicadores de rentabilidade foi clara. Aumentou o retorno tanto sobre os ativos quanto sobre o patrimônio líquido. Em alguns casos, a mudança foi dramática. Antes da privatização, o retorno da Companhia Siderúrgica Nacional era ligeiramente menor (0,96%) que o da média do setor. Depois da venda, esse indicador ficou 7,48% acima da média setorial. No retorno sobre o patrimônio líquido, a Acesita passou de um desempenho 0,42% abaixo da média para mais que o dobro da média.

Os efeitos da mudança aparecem todos os dias na imprensa. As siderúrgicas privatizadas cresceram, ganharam eficiência e vêm disputando fatias importantes do comércio internacional. Deixaram de ser problemas para o governo, passaram a operar com meios próprios e seu desafio mais importante, agora, é enfrentar a mudança estrutural do setor, com grandes aquisições lideradas pelas maiores multinacionais.

A Embraer, atolada em graves dificuldades financeiras na última fase como estatal, tornou-se uma das maiores e mais bem-sucedidas fabricantes de aviões do mundo, em seu segmento, e já entrou no caminho da internacionalização, com operações industriais fora do Brasil.

A Companhia Vale do Rio Doce acaba de se tornar a segunda maior mineradora do mundo, com a compra da canadense Inco. Fora do controle do Estado, essas empresas puderam operar muito mais livremente, sem o peso das interferências políticas, orientando-se pelos padrões típicos do mercado. Algumas que estavam enfraquecidas melhoraram. Outras, que já eram fortes e competitivas, ficaram ainda mais eficientes e ganharam maior projeção internacional.

A Usiminas, como lembrou há poucos dias um articulista, era deficitária quando foi privatizada em 1991. No dia da privatização, houve tumulto e agressões diante da Bolsa do Rio de Janeiro. No ano passado, a empresa pagou R$ 3 bilhões de impostos, em vez de depender de favores oficiais.

No caso do setor de serviços, houve problemas na definição dos contratos e isso vem sendo corrigido. Houve episódios semelhantes noutros países. Mas o telefone fixo deixou de ser um luxo e os celulares tornaram-se objetos de uso popular. Rodovias privatizadas são muito melhores que aquelas ainda sob controle estatal. Restam, no entanto, problemas no setor elétrico e não se sabe se a oferta será suficiente nos próximos anos. Mas o problema, nesse caso, não decorre da privatização, e sim de erros do governo, que falhou no planejamento e não conseguiu atrair os capitais necessários à ampliação da oferta. A incompetência é dos que falam mal das privatizações e que usariam as estatais, se mais estatais houvesse, para dar emprego aos companheiros.