Folha de São Paulo

28.11.96

Debate


''Gostaria de me juntar à Folha no desejo, expresso no editorial 'Bater sem debater' (25/11), de que houvesse mais debates sobre a substância dos problemas do desenvolvimento brasileiro e menos exercícios de adjetivação.
Foi exatamente isso que pretendi com as 47 páginas que compõem o meu texto 'Inserção externa e desenvolvimento', que tanta celeuma tem provocado.
Não posso imaginar uma maneira mais aberta de debater as questões conceituais sobre a política cambial e temas correlatos, como quer a Folha, do que escrever 47 páginas sobre o assunto, divulgá-las, e ter o meu trabalho discutido e dissecado impiedosamente por qualquer um que queira fazê-lo.
Acho que a noção de 'bater sem debater' bem descreve, não a minha postura, mas as tentativas de adjetivação a serviço do patrulhamento como aquela contra a qual me insurgi em meu artigo para o Mais! no domingo passado.
Na verdade, meu artigo nada mais faz do que apontar o ridículo de se 'denunciar o caráter ideológico' do meu texto e cobrar as propostas alternativas sobre as questões práticas que o país enfrenta. Exatamente o que a Folha propõe.''


Gustavo H.B. Franco, diretor de Assuntos Internacionais do Banco Central do Brasil (Brasília, DF)